segunda-feira, 11 de abril de 2016

as pessoas crescem, as pessoas florescem

   Enquanto caminho de casa para escola, ou da escola para casa, muita coisa muda dentro de mim. o percurso é sempre o mesmo, e consequentemente os lugares que atravesso também são os mesmos.
    Mas o meu olhar pra tudo isso muda a cada dia, a forma como eu olho pra alguma coisa faz com que ela fique diferente. Quando eu estou nervosa por causa de alguma prova, ansiosa para ir ao ranieri, chorando por motivos que nem eu sei direito, ou dançando com a música bem alta no fone; querendo ou não, todas essas coisas influenciam na maneira que eu enxergo as outras pessoas, os grafites, e até na forma como eu caminho.
   Acredito que tudo na vida seja assim, é uma questão de ponto de vista. até que um dia, você vai atravessar o mesmo percurso, passar pelo mesmo lugar, e vai entender que talvez não fossem as pessoas que estavam calmas demais e sim você que estava nervoso demais, que nem todo mundo estava tão sério e sim você que estava muito animado.
    Isso aconteceu comigo um dia desses, eu entendi que a forma como eu passo por algum lugar, muda meus pensamentos sobre ele. E durante esse trecho do meu caminho em que fico sozinha até chegar em casa, tenho um tempo suficiente para colocar meus pensamentos em ordem e tentar entender as coisas que no resto do dia não tive tempo pra raciocinar bem.
   Normalmente vou andando até o metrô com alguma companhia, conversando, rindo e brincando. Chegando lá, o rumo de cada um muda, eu viro a esquerda e sigo reto até minha casa, já a pessoa vai para o ponto de ônibus, entra no metrô, ou mora ali perto mesmo.
     Desde este momento, meus pensamentos começam a borbulhar. Passo por uma banca de jornal, por um posto de gasolina, alguns bares onde bêbados tristes e solitários cantam mulheres na rua e riem da cara uns dos outros, uma loja de R$ 1,99 de um chinês onde você pode encontrar qualquer coisa (qualquer coisa mesmo), outro posto de gasolina, um mini mercado extra que eu só vou em casos muito raros, até que chego em minha casa.
     Já no segundo posto de gasolina, na parede do prédio ao lado, há um desenho em preto e branco. todas as vezes que passo ali tento dar uma nova compreensão a ele. Diversas vezes vi pessoas paradas, olhando e observando, tirando fotos, e assim como eu, tentando compreendê-lo.
     Fico imaginando a pessoa que o criou, e porque o desenhou ali, onde ela estará agora? O engraçado é que ela nem sabe que eu existo, e não faz ideia das coisas que o grafite dela já me causaram e influenciaram na forma como eu olhei várias outras coisas.
     Mas todas essas situações, todos esses olhares possíveis para uma mesma coisa, cada uma dessas vezes que passo por algo, servem para que eu cresça, para que eu floresça.
    E por isso a escolha desse nome para o blog; vivam, continuem olhando, observando, crescendo e florescendo, cada vez mais e mais. Façam o mesmo percurso quantas vezes precisarem, de diferentes jeitos, até que possam enlou-crescer. 



inspiração: Minha ideia inicial era observar alguém na rua e escrever uma crônica baseada nessa experiência, mas obviamente não tive muito sucesso. Escolhi então me auto-observar, observar a um grafite, etc. 

   

Um comentário:

  1. Ceci, a cada texto que leio, que você escreveu, me impressiono mais e mais, me orgulho, mais e mais, e sinto que a minha vinda a rddr pais, pois como você sabe não sou daqui, não foi em vão, me sinto recompensada por você existir, orgulhosa por ter uma neta como você. bjsss da sua yaya

    ResponderExcluir